José da Conceição Maia - Um caso bicudo

 

n. 30 de Dezembro de 1910, Arroios, Lisboa, Lisboa

c. 6 de Dezembro de 1944, N. Srª. de Fátima, Lisboa, Lisboa

f. 24 de Dezembro de 1984, Miragaia, Porto, Porto

nss. 14


Um caso bicudo, em genealogia, dá-se quando é muito difícil encontrar os ascendentes de alguém por falta de informações. Na maior parte das vezes, isto acontece porque esse alguém é "filho de pai/mãe incógnito(a)", ou seja o pai ou a mãe não reconheceu oficialmente o filho como próprio. Eis um exemplo.

De José da Conceição Maia é sabido que nasceu em Lisboa, apesar da mãe, Adelina da Conceição (nss. 29), ser de Carapinha (Concelho de Tábua, Distrito de Coimbra). No assento de Baptismo consta ser filho de pai incógnito. Sobre a mãe, está escrito que era "(...) solteira, paroquiana e moradora nesta [freguesia] de São Jorge, na Vila Áspera, número cinco (...)".

Actualmente, a Vila Áspera nº5 (1900-142 Lisboa) tem o seguinte aspecto.

Vila Áspera, número 5 (primeira porta).


Num documento encontrado nas "caixas de arrumações" da família, consta que o pai se chamava José Maia. No entanto não temos mais informação sobre ele.


Documento onde consta o nome do pai de José da Conceição Maia.

No assento de casamento, consta que José da Conceição Maia era trabalhador de cerâmica, mais especificamente forneiro, aspecto que foi confirmado em vários outro documentos. 

Uma vez em Moçambique, José da Conceição Maia trabalhou na manutenção de estradas e pontes, sendo "Chefe de trabalho 2ª classe". Como tal estava habilitado a "fiscalizar o cumprimento das disposições do Código da Estrada e demais legislação sobre o trânsito, podendo levantar os competentes autos de notícia, nos termos e com efeitos da lei processual penal".

José da Conceição Maia em Moçambique.


Existe ainda um documento, no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, referente a José da Conceição Maia, mas a sua consulta encontra-se interdita pelo Decreto-Lei 16/93, uma vez que ainda não passaram 50 anos desde a sua morte. O documento em questão encontra-se no conjunto de "Processos individuais de funcionários e agentes da administração ultramarina. Contém ficha biográfica, informações de serviço, comissões de serviço, contagem de tempo de serviço e pedidos de aposentação, inquéritos, licenças e outros documentos respeitantes à atividade e funcionalismo ultramarino".

Casou em 6 de Dezembro de 1944, na igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, com Esmeralda da Silva Matos (nss. 15). Deste casamento nasceu Ilda da Conceição da Silva Maia (nss. 7).


Da esquerda para a direita:
Esmeralda da Silva Matos, Ilda da Conceição da Silva Maia, e José da Conceição Maia (circa 1945).



É sabido que a família Maia é uma das 5 famílias (Baião, Bragança, Maia, Ribadouro, e Sousa) que apoiaram D. Afonso Henriques na batalha de São Mamede e, por conseguinte, na independência do Condado Portucalence e fundação do Reino de Portugal.

Armas de Maia.

Assim, é pena que esta linhagem esteja "encalhada". É um capítulo inteiro da história da família que não se conhece.

Como sempre, agradeço a quem disponibilizar informações que ajudem a desencalhar este ramo dos Maia Mota Carmo.

José da Conceição Maia (circa 1975).

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