Miguel da Conceição Mota Carmo

 

n. 18 de Julho de 1900, Santa Maria dos Olivais, Tomar, Santarém

c. 7 de Janeiro de 1931, Peniche (S. Pedro), Peniche, Leiria

f. 11 de Agosto de 1974, Lapa, Lisboa, Lisboa

nss. 12


Sobre Miguel da Conceição Mota Carmo, será publicada brevemente a biografia escrita por Adriano Miranda Lima (obiit 12 de Fevereiro de 2017) em Abril de 2015. Para já, apresento uma breve referência biográfica e algumas fotografias de família.


Como se viu, a maioria das grandes empresas tinha o seu próprio sistema de segurança e vigilância, habitualmente coordenado por um ex-oficial do exército ou da GNR. Um dos elementos que coordenou a segurança de quatro das maiores empresas semipúblicas de Lisboa, Sacor, Petroquímica, Companhias Reunidas Gás e Electricidade, bem como a Termoelétrica Portuguesa e a Hidroeléctica do Zêzere, foi o coronel Miguel da Conceição Mota Carmo, o qual se voltará a referir relativamente À morte de Humberto Delgado.

Embora se tenha apoiado sobretudo nas «informações» da PIDE/DGS para vigiar o pessual das «suas» empresas, Mota Carmo chegou a criticar os métodos da polícia política, com a qual tinha uma relação conflituosa, nunca sendo, por exemplo, recebido pelo director Silva Pais. Em 10 de Setembro de 1965, pediu a Silva Pais para a PIDE responder aos seus pedidos de informação, queixando-se de não ter recebido qualquer resposta, o que estava a causar prejuízo aos serviços da Sacor.

Álvaro Pereira Carvalho respondeu a essa carta numa missiva abrupta onde perguntou a Mota Carmo se a PIDE pusesse de parte as «suas funções e os seus compromissos para passar a andar às suas ordens». Ofendido com o teor da carta, Mota Carmo queixou-se de Pereira de Carvalho a Silva Pais, lembrando as longas relações que mantinha com a PIDE, para funcionário da qal tinha mesmo sido convidado pelo falecido director, o capitão Agostinho Lourenço.

O arquivo da PIDE/DGS sobre a Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE) e as Companhias Reunidas Gás e Electricidade [muito expurgado, em «Defesa ao bom nome de cidadãos (informadores)»] contém muita correspondência no período entre 1957 e 1972 entre a PIDE/DGS e o coronel Mota Carmo, que continuava então a ser chefe de segurança da Sacor. Em 21 de Agosto de 1972, por exemplo, Mota Carmo escreveu à DGS sobre os «atentados terroristas de dia 9» à rede eléctrica primária pelos «terroristas da ARA». A terminar melbrava, numa passagem sublinhada pela DGS, que esta política tinha «arquivadas relações de todo o pessoal da CPE».

in I. FLUNSER PIMENTEL, A história da PIDE, Círculo de Leitores: Temas e Debates, 6ª edição, Lisboa, 2009, pag. 267-268.




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