Etelvina Augusta da Paz Assunção


n. 12 de Dezembro de 1869, Santo Estevão, Lisboa, Lisboa

c. 31 de Agosto de 1893, Peniche (Conceição), Peniche, Leiria

f. 26 de Janeiro de 1925, Peniche (São Pedro), Peniche, Leiria

nss. 27


Segue-se uma pequena biografia, intercalada por fotografias de objectos pintados por Etelvina (pertencentes ao espólio da família).

Escola industrial de Peniche;
in L. C. Peixoto, Peniche: 100 anos através da fotografia, 2ª edição, Rio Maior, 1994, pag 83.


Pandeireta pintada por Etelvina.

Em 17 de agosto de 1889, Etelvina da Paz Assunção foi nomeada professora de desenho e encarregue de reger provisoriamente a Escola de Peniche, em substituição da anterior diretora que fora dispensada do serviço por ordem superior. O seu vencimento, atualizado para 45$000, foi acrescido, a partir do mês de outubro, de uma gratificação anual de 90$000, por dirigir a oficina da escola. Em 24 de outubro de 1891, foi designado, para diretor da Escola de Peniche, Francisco Gil, transferido da Escola de Desenho Industrial da Figueira da Foz, extinta pelo Decreto de 8 de outubro de 1891, assinado por João Franco, então ministro das Obras Públicas. Etelvina da Paz Assunção manteve a sua função de professora e, em 15 de novembro de 1892, voltou a ser incumbida de reger a escola, com um salário de 1$500 réis diários, devido à transferência do diretor para a escola de Leiria. Em julho de 1893, Luciano Cordeiro, inspetor das escolas industriais da circunscrição do Sul, elogiando a sua competência como professora e diretora, propôs superiormente, por mais de uma vez, que o vencimento passasse a 600$000 réis anuais, de acordo com o estipulado na legislação em vigor para o desempenho daquele cargo. Em 1897, Etelvina da Paz Assunção recebia 540$000 réis anuais, como professora auxiliar e diretora da Escola Rainha D. Maria Pia, e na sequência do Decreto de 14 de dezembro de 1897, que reorganizou o ensino nas escolas industriais e de desenho industrial, passou a auferir, como professora efetiva e em conformidade com a tabela anexa ao referido decreto, um vencimento de 600$000 réis anuais.

Balde de gelo de vidro pintado por Etelvina.

Na Exposição Universal de Paris de 1900, a exposição coletiva das escolas industriais portuguesas da circunscrição do Sul, na qual se integrava a de Peniche, obteve o Grand Prix atribuído na “Classe de ensino especial, industrial e comercial”. Registe-se que, na mesma exposição, Etelvina Augusta da Paz Assunção foi uma das três mulheres agraciadas individualmente no Grupo I “Educação e ensino”, tendo-lhe sido atribuída uma medalha de prata como colaboradora. Foi, com Maria Augusta Bordalo Pinheiro e Joaquina Aurélia Baptista Guerreiro, uma das três mulheres que, no século XIX, exerceram as funções de professora de desenho e de diretora de uma escola de desenho industrial, pois o restante pessoal feminino das escolas industriais era constituído por mestras das oficinas de lavores femininos. Exerceu o cargo de direção da escola até quase à data da sua morte, ocorrida em 26 de janeiro de 1928*, tendo sido substituída por Benvinda Fernandes.

Tendo adquirido, por casamento, o apelido Guizado, este nunca foi usado nos registos da sua atividade profissional. 


in J. ESTEVES & Z. OSÓRIO de Castro, Feminae, Dicionário Contemporâneo, Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, Lisboa, 2013, pag. 295.

* o ano de falecimento apresentado nesta biografia difere daquele apresentado no averbamento do assento de Baptismo, que é o que seguimos (1925).


Exemplar de chávena e pires pertencente a um conjunto pintado por Etelvina.



Animação digital da fotografia (myheritage.com).

Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

In memoriam - Maria Teresa Gomes de Lima Coelho Machado

Raizes genéticas - primeira investigação

O meu brasão de armas